domingo, 17 de maio de 2009

Gaivota

Eu sei que sou mais uma das milhares de pessoas que já se apaixonou por esta música.
Já a ouvi vezes sem conta, mas mesmo assim, não me canso de ouvi-la sempre mais uma vez.



Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'neill

PERFEITO
http://www.myspace.com/amaliahoje

domingo, 10 de maio de 2009

Tempestade

És o melhor amigo.
O meu melhor amigo.
Aquele que me apoia e ajuda. A quem devo tudo.
És aquela pessoa que não está sempre presente e que me deixa sozinha quando mais preciso. Que me magoa, e me pede gritos quando só preciso de silêncio. Que me larga quando preciso de um abraço, e que me julga com crueldade e se apercebe tarde demais que sou inocente.
És aquela pessoa especial que agarra com força a minha mão, todos os dias, e que a deixa deslizar de mansinho, quando prendo à tua mão, todos as minhas forças e a minha confiança.
Tens o dom de não conseguires entender quando estou bem ou estou mal, mas consegues por me mal em poucos segundos.
Sinto-me cada vez mais longe de ti, e é talvez isso que me leva a culpar-me de muitas das coisas que acontecem. Há coisas que eu não consigo mudar. Sou consequência de problemas que não se tornaram positivos e de esperanças que se afogaram.
Mas eu continuo a sonhar. É isso que me permite ter um sorriso todos os dias na cara. Era isso que eu era antes de ti. Uma sonhadora, mas num sonho diferente.
Não percebi ainda bem porquê, mas isto faz de ti o meu melhor amigo.


"Um dia sonhei ser escritora. Sonhei com pessoas boas e felizes. Sonhei com tudo ao mesmo tempo. Escrevi e fiz escrever. Escrevi e das minhas palavras nasceram acções boas, pessoas melhores, destinos felizes. Sonhei que tudo era perfeito!
Mas eu morri. Morri como morro todos os dias. Mas morrer, podia ter-me feito nascer outra vez, uma pessoa nova. Com outra vontade. Com outras pessoas."

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pensamentos

Passei só para dizer que te amo.
Porque tens estado presente, mas é como se não estivesses.
Quando preciso de te ouvir, chateias-te e culpas-me.
Como se estivéssemos a ser separados aos poucos pela distância que sempre tentamos combater.
Deixa-mo-nos consumir pelo que nos perturba e nos afasta e não pelo que nos une.
Somos consumidos por emoções que nem sempre são verdade.
Acumulam-se os mal entendidos, e os entendidos pouco bem, no meio de palavras mal ditas ou mal explicadas na tentativa sempre de algo que apenas meio conseguimos.
Para no final termos dois dias de tréguas. Raio de vida esta.
Triste sina a minha.
Maldito karma.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Coincidências

Nunca acreditei em alma gémea, mas sempre soube que as coincidências não são bem coincidências. Se alguém está em determinado sítio, a determinada hora, não é por mero acaso.
Quantas e quantas vezes estas pessoas se cruzam connosco e nem nos apercebemos porque estão lá, mas quando precisamos ou quando vemos melhor a situação, tudo faz sentido, tudo bate certo.
Mas hoje acredito.
Acredito em alma gémea.
Ainda mais em coincidências.
Realmente, cada um têm uma alma gémea, que sente, pensa e quase consegue viver o que estamos a viver!
Basta encontra-la...

domingo, 26 de abril de 2009

Amo-Te



Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.

Não é exactamente isto que eu sinto, mas sinto que te amo. És tudo o que de melhor podia querer e de pior podia imaginar. Já perdi a conta às palavras que te deixei aqui, mas nenhuma delas, sei-o bem, consegue alguma vez descrever o que vêem os meus olhos quando te olham e o que o meu coração sente quando palpita mais depressa por estares ao pé de mim.

Amo-Te
*****

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Livro

Abri um livro no outro dia.
Já não me lembrava da sensação de abrir um livro à muito tempo.
Aquele misto de emoção e curiosidade, levaram-me a ler as primeiras páginas. Não era mau, e começava a ser algo interessante. Pelo conhecido título, apreciado por muitos, achei por bem ser mais uma a lê-lo, mas parei.
Parei nas primeiras páginas com medo do fim.
Medo da desilusão de mais um fim que me faz detestar mais um livro, e cada vez menos ter aquela vontade de me agarrar a cada um deles e poder ama-los tanto como a mim mesma.
Fechei-o no desespero de mais uma tentativa falhada, na esperança de um final feliz. De um final que me agrade. De um final que vá realmente ao encontro do que penso, espero, sinto e concordo.
Um final que me possa tornar a mesma pessoa, não de ontem, mas da semana passada. De à muito tempo atrás, mas que sabia mais que nunca o que estava certo. Que sabia fazer O certo.
Vou parar de escrever, e ler o que alguém outrora escreveu na tentativa sabe-se lá do quê.

Literal, ou não literalmente.

domingo, 19 de abril de 2009

Perdida, quase achada

Acho que deixei a minha esperança perder-se com os sonhos que cultivava desde à uns tempos para cá.
As pessoas não mudam, apenas se mostram como são. E é difícil viver na ansiedade de ser julgado a cada passo que se dá, na ansiedade de mais um pouco de amor e compreensão.
Sinto-me cada vez mais a fugir de mim mesma. Com medo de falar e olhar para as pessoas. Como se tivesse feito algo que fosse correcto. Quase consigo habituar-me a este eu, que não sou eu. A isto que está em mim.
Onde deixei o meu bocadinho de mim?
A minha estupidez, a minha vontade de gritar e dançar no meio a rua, de abraçar os meus amigos a todos os minutos e segundos, e dizer-lhes que os amo mais que a mim mesma, ao mesmo tempo que os encho de beijos?
Os cafés, as combinações, as festas, as saídas, a animação, o optimismo. Onde está isso tudo que eu sentia?
As trocas de olhares e trocas de silêncios. Trocas de experiências e trocas de algo mais. Trocas de amizade, e trocas de sorrisos. Será que também eu me deixei trocar pelo que sou agora?
Fico com medo de experimentar ser eu de novo outra vez. As pessoas olham, falam e comentam. Tenho que ser o que se pretende que eu seja. Bonita, simples, arrumada, organizada, ajuizada, simpática, sempre de sorriso nos lábios, com tempo para tudo, inteligente, boa ouvinte, confidente, confiante, sem medos nem receios, perspicaz, audaz e atenta. Submissa, cega, muda, surda.
O contrário do meu bocadinho perdido.
Apesar de não poder recupera-lo, ou não dever, ou não querer, sei exactamente onde deixei...